Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo despediu-se do Campeonato do Mundo da forma que ninguém em Portugal queria ver: com uma derrota, por 1-0, diante da Espanha, e sem o único título que faltou a uma carreira irrepetível. Foi o sexto Mundial do capitão, dezanove anos depois da estreia, em 2006. Curiosamente, foi também nessa primeira presença que atingiu o seu melhor registo na prova, um quarto lugar que nunca mais conseguiu superar.
Os números de um declínio
O tempo, esse adversário que não perdoa, deixou marcas evidentes. Neste Mundial de 2026, Ronaldo marcou uma única vez, de penálti, frente à Croácia. Os dados do declínio são frios mas honestos: entre 2010 e 2018, o avançado somava em média 5,9 remates e 11,5 duelos por cada 90 minutos. Em 2026, esses valores caíram para 3,7 remates e apenas 3,3 duelos. O corpo já não acompanha a ambição.
A defesa de Martínez
Ainda assim, Roberto Martínez nunca hesitou em mantê-lo em campo. O selecionador defendeu a opção com convicção. "Quando se é uma equipa e se precisa de um golo, não se pode tirar Cristiano Ronaldo. É uma presença, abre espaço, é uma situação de bola parada", justificou, recusando qualquer leitura que colocasse o capitão fora das contas nos momentos decisivos.
A sombra de Messi
A comparação inevitável faz-se com Lionel Messi. O argentino levantou a taça em 2022 e fechou o círculo que a Cristiano ficou por completar. É a diferença que os críticos nunca deixarão de sublinhar. Mas reduzir a carreira do português a esse vazio seria injusto. São cinco Bolas de Ouro, uma longevidade sem paralelo e uma capacidade de reinvenção que atravessou gerações inteiras de futebol.
Sem taça, mas de consciência tranquila
Ronaldo sai de cena sem o Mundial, é verdade, mas sai também de consciência tranquila. Deu tudo o que tinha, jogo após jogo, mesmo quando as pernas já não respondiam como antes. Em Arlington, isolado, sem serviço, apenas com 19 toques na bola, viveu o último capítulo de uma história que se escreveu ao longo de duas décadas com a camisola das quinas.
Para Portugal, fica o vazio de imaginar as próximas grandes noites sem o número 7. Para o futebol, fica a certeza de que se despediu um dos maiores de sempre. Não com o troféu que sonhou, mas com o respeito que só os verdadeiramente gigantes conquistam.
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